sexta-feira, 6 de junho de 2008

Thanks, Carpinejar!


"Não há quem não feche os olhos ao comer, não há quem não feche os
olhos ao cantar a música favorita, não há quem não feche os olhos ao beijar, não há quem não feche os olhos ao abraçar. Fechamos os olhos para garantir a memória da memória. É ali que a vida entra e perdura, naquela escuridão
mínima, no avesso das pálpebras. Concentramo-nos para segurar a
dispersão, para segurar a barca ao calor do remo. O rosto é uma estrutura perfeita do silêncio. Os cílios se mexem como pedais da memória. Experimenta-se uma vez mais aquilo que não era possível. Viver é boiar, recordar é nadar. Escrevo na água, no vento da água. O passado sem os olhos fechados é como uma roupa enrugada. Sem corpo. Sem as folhas dos plátanos."

Trecho do texto "Não há de Quê"
Fabrício Carpinejar - Prata da Casa!

Um comentário:

Anônimo disse...

Carpinejar é 10!